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  • Maria Paula V. Carrera

Sobre testes em animais

“Nós acreditamos que não existe uma justificativa moral ou racional para usar animais em experimentos” – Cruelty Free International




Onde acontece?


A grande maioria dos testes em animais acontece dentro de indústrias de vacinas, medicamentos, cosméticos, químicos (como tintas, corantes, solventes, derivados de petróleo, etc.), entre outros, e tem como objetivo avaliar a segurança dos produtos e/ou insumos para uso humano e se estão funcionando da forma esperada.


No Brasil, o uso de animais em testes de segurança para cosméticos não é um requisito obrigatório, no entanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), responsável pela regulamentação dos cosméticos, continua referenciando os testes em animais em suas diretrizes oficiais e reafirmando que o uso de animais é necessário. Apesar disso, um total de oito estados brasileiros já proibiram testes de cosméticos em animais, associando cerca de 70% da indústria nacional a um modelo de produção cruelty-free. São eles: São Paulo (o primeiro, em 2014), Mato Grosso do Sul, Amazonas, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco (unindo-se ao grupo em 2018). No entanto, no restante dos estados, os testes em animais podem ocorrer caso as empresas, seus fabricantes ou fornecedores assim quiserem.


No mundo, os testes de cosméticos em animais foram proibidos em 41 países, incluindo o bloco da União Europeia, Israel, Índia, Noruega, Suíça, Taiwan, Nova Zelândia e Guatemala. Leis semelhantes estão sendo debatidas nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Chile, África do Sul e outros países.



Como são os testes?


Os testes recomendados pela ANVISA incluem o uso de camundongos, ratos, coelhos e hamsters. Segundo a Humane Society International, são realizados testes de irritação ocular e cutânea no qual os produtos químicos são esfregados sobre a pele raspada ou pingados nos olhos de coelhos; alimentação forçada e repetida que pode durar semanas ou meses a fim de detectar sinais de doenças e riscos para a saúde, como câncer ou defeitos de nascimento; uso da "dose letal", no qual os animais são forçados a ingerir enormes quantidades de um determinado produto químico, de maneira a determinar a dose mortal de tal substância. Existem outros testes onde aplica-se produtos no pênis e vagina de coelhos com cateteres - isso vale para produtos íntimos como camisinha e lubrificantes. No final dos testes, os animais são sacrificados, geralmente por asfixia, quebra de pescoço ou decapitação. Anestésicos não são utilizados.




Campanha Save Ralph


A Humane Society International em parceria com cineastas de Hollywood, produziu o curta de nome Save Ralph, uma animação em stop-motion com formato de documentário. Segundo a HSI o curta e a campanha #SaveRalph visa mudar as leis e proibir testes em animais. O cenário inicial do filme é a casa do Ralph, onde ele faz suas atividades diárias a medida que conta para o telespectador sobre os sofrimentos que ele suporta no "trabalho". A campanha #SaveRalph aborda o problema do uso de animais em testes de forma inesperada e chocante - usa a história de uma coelho para trazer à luz a situação de incontáveis outros animais que sofrem nesse exato momento em laboratórios ao redor do mundo.


Essa campanha teve um forte impacto no México, o que levou a proibição de testes em animais no país. O filme teve mais de 150 milhões de visualizações no YouTube, fato que estimulou mais de 1,3 milhão de pessoas a assinar uma petição em prol do bem estar dos animais no México. O Senado aprovou por unanimidade um projeto de lei federal que proíbe os testes em animais para cosméticos. A decisão torna o México o primeiro país da América do Norte e o 41º país do mundo a adotar essa medida. De acordo com a nova lei, passa a ser proibido pesquisas cosméticas com o uso de animais para testar tanto insumos quanto produtos prontos. A nova lei proíbe também a fabricação, comercialização e importação de cosméticos que apresentem em sua formulação ingredientes que tenham sido testados em animais em outras partes do mundo.


Para assistir o filme clique aqui.




Argumentos contra testes em animais


“A história da pesquisa do câncer é a história da cura do câncer em camundongos. Nós curamos o câncer de ratos há décadas e simplesmente não funciona em humanos” - Dr. Richard Klausner, ex-diretor do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos.


O uso de animais em testes não somente é cruel, como frequentemente ineficaz. Muitas das principais doenças que afetam o ser humano, como doenças cardíacas, muitos tipos de câncer, HIV, doença de Parkinson ou esquizofrenia não afetam os animais. Dessa forma, para que os estudos sejam feitos, sinais dessas doenças são induzidos artificialmente em animais de laboratório como uma tentativa de imitar a doença humana. Adicionalmente, esses experimentos descartam uma série de variáveis, como genética, fatores socioeconômicos, questões psicológicas, experiências pessoais, que estão diretamente ligados à complexidade da condição humana.


  • 90% dos medicamentos falham em testes com humanos mesmo após serem aprovados por testes pré-clínicos (incluindo testes em animais);

  • rofecoxib é um medicamento anti-inflamatório para tratamento de problemas como artrite e que foi removido de circulação em 2004 por causar mais 320.000 ataques cardíacos e AVCs, além de 140.000 mortes em todo mundo, mesmo após ter sido aprovado e considerado seguro em testes em macacos (e outras 5 espécies animais);

  • a espécie de macaco mais utilizada em testes, o macaco-cinomolgo, é resistente a doses de paracetamol (remédio de comum utilização) que seriam letais para humanos;

  • AAS (ácido acetilsalicílico ou aspirina) é tóxico para muitos animais, como gatos e ratos, e não poderia ser comercializado se tivesse sido testado com os atuais padrões de testes em animais.

  • entre outros.




Como as empresas que não usam testes em animais conseguem garantir a segurança de seus produtos?


Substituir os testes em animais não significa colocar humanos em risco ou boicotar o progresso da medicina. Existem métodos alternativos eficazes:

  • criação de células in vitro: a cultura dessas células tem ficado cada vez mais acessível, além de permitir o estudo de processos de doenças infecciosas e da metabolização de drogas;

  • cultivo de órgãos e tecidos humanos a partir de células-tronco: hoje em dia é possível cultivar quase todo tipo de tecido em laboratório, humano ou animal, e, através deles é possível estudar a fundo doenças como câncer, AIDS, doenças renais e choques sépticos;

  • órgãos e tecidos doados: tais materiais podem ser doados em cirurgias cosméticas, biópsias, transplantes ou post-mortem, e já permitiram avanços significativos no entendimento e combate a doenças como esclerose múltipla e Mal de Parkinson;

  • pacientes voluntários;

  • modelos computacionais.

As empresas também podem garantir a segurança de seus produtos escolhendo seus insumos dentre os milhares que possuem uma longa história de uso seguro. Estas são abordagens usadas por centenas de empresas certificadas pelo programa `Leaping Bunny` como livres de crueldade animal.


O Ministério da Ciência e Tecnologia criou uma Rede Nacional de Métodos Alternativos (RENAMA) com o objetivo de expandir a aceitação e a utilização de métodos modernos de testes de segurança sem utilização de animais em todo o Brasil.

Qual a diferença entre produto vegano e cruelty-free?


Esses são termos que vem aparecendo cada vez mais nos rótulos de cosméticos mas nem sempre juntos. Você sabe o que significam?

Antes de começar, é preciso deixar claro que todo produto vegano é cruelty-free, mas nem todo produto cruelty-free é vegano.

Produto Vegano: não é testado em animais; livre de exploração animal; não contém ingredientes de origem animal.

  1. A marca é 100% vegana, ou seja, nenhum produto da marca contém ingredientes de origem animal;

  2. O produto não contém ingredientes de origem animal em sua fórmula;

  3. O produto final e seus ingredientes não podem ter sido testados em animais em nenhuma etapa da produção, seja pela própria marca ou por laboratórios terceirizados;

  4. A marca não compra de fornecedores de insumos que façam testes em animais, sejam eles próprios ou por laboratórios terceirizados;

  5. A marca do produto não patrocina eventos com exploração animal, como desfiles de moda de marcas que usam peles de animais, rodeio, hipismo, vaquejada, etc;

  6. A empresa-mãe (caso houver) da marca não está envolvida com nenhum tipo de exploração animal;

  7. A marca deve ser clara e transparente no momento de fornecer informações aos consumidores para inspirar confiança nas afirmações.



Produto Cruelty-Free: não é testado em animais mas pode conter ingredientes de origem animal.

  1. A marca NÃO necessariamente é vegana;

  2. O produto pode conter ingredientes de origem animal em sua fórmula;

  3. O produto final e seus ingredientes não podem ter sido testados em animais em nenhuma etapa da produção, seja pela própria marca ou por laboratórios terceirizados;

  4. A marca pode realizar testes em animais em outros produtos (exceto aqueles classificados como cruelty-free); seja por ela própria ou por laboratórios terceirizados;

  5. A marca pode trabalhar com fornecedores que fazem testes em animais ou que terceirizam esses testes, no entanto, os insumos comprados desses fornecedores não são usados no produto cruelty-free, embora possam ser usados em outros produtos da marca;

  6. A marca pode patrocinar eventos com exploração animal, como desfiles de moda de marcas que usam pele animal, rodeio, hipismo, vaquejada, etc.



Vale ressaltar a diferença entre PRODUTO CRUELTY-FREE e MARCA CRUELTY-FREE. Caso a marca seja classificada como cruelty-free, então todos os produtos e insumos (fabricados pela própria marca ou comprados de fornecedores) não podem ter sido testados em animais, seja por eles ou por laboratórios terceirizados. A marca do produto também não pode patrocinar eventos com exploração animal.


Seja o produto ou marca cruelty-free ou vegano, o que importa é que a sua escolha vai contribuir para causas de bem-estar dos animais.

Como eu posso ajudar?

  • Assine a declaração `Liberte-se da Crueldade` da Humane Society International, bem como outras petições das diversas ONGs e associações existentes, a fim de mostrar apoio a proibição dos testes de cosméticos em animais no Brasil.

  • Compre produtos livres de crueldade animal.

  • Não compre produtos que foram testados em animais.

  • Doe para organizações que lutam diariamente pelo bem estar dos animais.

  • Apoie marcas cruelty-free e/ou veganas e que ajudam a proteger o meio ambiente.

  • Exija que as empresas da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) se tornem livres de crueldade.

🐰


Listas de marcas veganas e cruelty-free para uma compra mais consciente e com empatia:


http://arivegan.com/listas/



Referências:


https://www.crueltyfreeinternational.org/


https://ongteprotejo.org/br/marcas-cruelty-free/


https://www.hsi.org/


http://arivegan.com/


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